Simone de Beauvoir
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Simone de Beauvoir (1908-1986) Nasceu em Paris, primeira filha de uma família de situação econômica confortável. Duas experiência marcam sua juventude: a leitura de Balzac, que a faz perceber que já não acredita em Deus e a intensa amizade com Elizabeth Mabille (Zazá), sua “única relação não livresca” de adolescência, que morreu jovem mal desconhecido. A experiência da morte de Zazá impressiona profundamente Simone, e permite a descoberta do sentido do luto, da morte, do absurdo da vida. Elas haviam se inscrito juntas para a universidade de Sorbonne, onde Simone estudou matemática e filosofia e conheceu Jean Paul-Sartre (1905-1980) e Paul Nizan, entre outros que fariam parte do grupo de intelectuais franceses mais importantes após a Segunda Guerra Mundial. Muito jovem já era uma leitora ávida e decidiu precocemente ser uma escritora. Orientou-se para este projeto e deixou vasta obra literária e filosófica, sendo que muitos dos seus textos são autobiográficos, como Memórias de uma Moça Bem Comportada (1958), A Força da Idade (1960), A Força das Coisas (1963), Uma Morte muito Doce (1964), Balanço Final (1972) e A Cerimônia do Adeus (1981). Nestes textos, retoma e examina recorrentemente, os primeiros trinta e cinco anos de sua vida, examinando a fundo este período de sua vida e estabelecendo conexões sempre novas com suas experiências posteriores. A vida adulta De Simone esteve marcada pelos acontecimentos culturais e políticos da época e decididamente vinculados à sua relação intelectual e afetiva com Sartre. Foi colaboradora assídua da revista Le temps Modernes, fundada por ele e Maurício Merleau-Ponty em 1945, e nas décadas de grupos políticos e feministas. Por uma moral da Ambigüidade (1947) e O Segundo Sexo (1947), sua obra mais famosa, que tornaram-na um ícone do movimento feminista dos anos 60 e 70, consolidam Simone como uma filósofa existencialista, que também utiliza os pressupostos fenomenológicos e do materialismo histórico para pensar seu tempo. Em 1970 escreve A Velhice, que retoma as análises do Segundo Sexo para tratar do tema existencial do envelhecimento na perspectiva da mulher. Ganhou um prêmio literário por Os Mandarins (1954) e fez sucesso com a narrativa Todos os Homens são Mortais (1946) e A Convidada (1967). Junto com Sartre, foi nomeada membro do Tribunal Russerl, o tribunal internacional encarregado de julgar os crimes cometidos pelos norte-americanos e seus aliados na guerra do Vietnã. Em 1968, participou do maio francês. A partir dos anos 70, engajou-se ativamente nas ações do Movimento de Libertação das Mulheres, grupo feminista da “Segunda Onda” francês e participou com os dissidentes russos em ações de solidariedade em favor dos perseguidos por motivos ideológicos e políticos. Falece em 1986, seis anos após a morte de Sartre.
Por Ana Miriam Wuensch




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